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Torresmo mais magro e bom pra saúde

Torresmo mais magro e bom pra saúde

Petisco com menos gordura e mais proteína pode ser o novo frango com batata doce

*Por Fernanda Amarante

Imagine entrar em uma loja típica de marombeiros, cheia de produtos saudáveis, whey protein e vários daqueles mega baldes de suplementos. No freezer, embalagens de frango desfiado com batata doce e outras refeições prontas, massas integrais, opções sem glúten, com pouca gordura, etc. E numa prateleira como quem não quer nada, está ele, o rei dos butecos, perfeito com uma cachacinha e agora wannabe rei das academias: o torresmo!

Pois a Muscle Food, uma empresa inglesa especializada em nutrição esportiva, lançou uma versão com 47% a menos de gordura, o que significa também uma grande maior quantidade de proteína, algo hoje muito desejado por quem quer ganhar massa magra no corpo, ou seja, músculos. Lançado também nas versões pimenta jalapeño, hickory pulled pork e spicy barbecue, o pacote de 35g custa 1,29 libras, cerca de 6 reais. O torresmo é feito ao forno, e não frito, tornando-se assim, uma opção mais saudável de lanchinho.

Parece absurdo, mas essa moda já tem adeptos atletas olímpicos e paraolímpicos, que precisam de boas fontes de energia pro corpo, e não duvido muito que a onda atinja o grande público em breve, pelo andar da carruagem dos modismos de comidas fitness. Do ponto de vista de uma trendhunter de gastronomia, não é tão sem sentido pensarmos o torresmo como uma possível comida saudável, e sim num desenvolvimento natural do que temos visto nos últimos anos, indicando que esse pode, de fato, ser um produto popular.

O fato incontestável é que a carne de porco e seus derivados são saborosíssimos, muito mais saborosos que as carnes magras como o peito de frango. E nos últimos anos, criou-se todo um frenesi dos foodies em torno do porco e especialmente do bacon. Em São Paulo, o chef André Mifano inventou até uma data comemorativa, o dia do Sant o Porco. Nos Estados Unidos, existem festivais dedicados ao bacon e grandes chefs já fazem seus próprios bacons. De fato, o interesse pelo bacon desencadeou um interesse maior no porco todo, em especial à charcutaria.

Por outro lado, o mundo fitness e saúde trouxe uma grande valorização da carne  e das gorduras boas. Os valores sobre o que realmente faz mal ao organismo têm sido contestados com frequência – os ovos eram considerados grandes vilões e agora voltaram a ser mocinhos na história. Nos anos 80 se falou muito em diminuição de gorduras na dieta, e o pobre porquinho foi um dos itens do cardápio que mais sofreu. Só se pensava em consumir carnes magras, e o peito de frango era um favorito, mesmo o lombo suíno sendo tão magro quanto. Mas depois veio a dieta do Dr. Atkins, em 1992, sugerindo um maior consumo de carnes e a redução de carboidratos, agora corroborada com as dietas paleolíticas e Dukan, com ideias semelhantes.

Apesar do apelo tão tupiniquim e jeitinho brasileiro, o torresmo ou pururuca é um alimento consumido em várias partes do mundo, e na Grã-Bretanha é consumido possivelmente desde a Era Vitoriana, sendo muito barato e consumido pelo proletariado. Dadas todas essas considerações, não seria nada anormal se a onda pegasse e os marombeiros comessem torresminho com whey. Eu, sempre num meio termo entre a saúde e a gastronomia, fico só com a pururuca.

Fontes

The Grain Brain. PERMUTTER, David. 2013.
Bacon Mania

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