Übiq. | O plano (nada) secreto de Musk
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O plano (nada) secreto de Musk

O plano (nada) secreto de Musk

31 de maio de 2020. O mundo vive uma pandemia de dimensões nunca antes testemunhadas. Nos EUA o país pega fogo com protestos iniciados a partir do revoltante assassinato de George Floyd. E enquanto isso, a SpaceX e a Nasa encabeçam a missão Crew Dragon Demo-2, a primeira missão comercial tripulada, que representa o renascimento dos Estados Unidos no mapa da corrida espacial.

Hoje, coincidentemente, finalmente finalizei oficialmente a minha tese de doutorado intitulada “Os Estudos de Tendências e a Tecnologia: análise de cenários e de impactos socioculturais”. Os objetos de estudo: o Web Summit, Elon Musk e suas empresas/projetos — a SpaceX, a Tesla, a Neuralink e o projeto Hyperloop.

Alguns podem achar um absurdo esse lançamento de foguete com toda a espetacularização mediática em meio a este momento tão único e incerto da história da humanidade. É enorme o número de pessoas envolvidas, colocando suas vidas na reta da pandemia. A atitude de não adiar a missão em um momento como esse soa para outros como mimada.

No entanto, meus amigos, o buraco é bem mais embaixo. A simbologia por trás desse acontecimento é densa e pensada. Ali tem gente controversa, sem dúvidas. Porém, arrisco dizer, que nada ali acontece sem planejamento. Existe um plano maior, liderado por Musk, que culmina em Marte. Todas as suas empresas se interconectam nessa missão. E Musk declara abertamente que tem o objetivo de “inspirar e revigorar as massas” (Vance, 2015, p. 101), restabelecendo o sonho da conquista espacial e da esperança, em que os EUA são o protagonista. É a revitalização da alma americana.

Poderiam ter adiado essa missão em um mês, mas deliberadamente não o fizeram. Não se iludam. Por trás estão cabeças pensantes tomando decisões. Seja para se auto-afirmarem e tirarem a atenção de um contexto pandêmico em que o país lidera os índices de contágio. Seja para se auto-afirmarem enquanto potência. Seja para se auto-afirmarem enquanto “resistência” à pandemia originada (há!) na “inimiga” China.

Soma-se a isso a imagem messiânica que Musk vem construindo há anos, como aquele que instrumentalizará a salvação da humanidade a partir da tecnologia: no espaço, em Marte, na Terra, seja aonde for. Com conectividade democratizada, com energia limpa, com interação cérebro-máquina, com o desafio do transporte ultra-veloz de matéria, com a nova noção de tempo-espaço, com a inteligência artificial, com a porta para o espaço como a redenção do apocalipse.

Não há pandemia que o faça parar, ele quer estar num plano superior. Os recados são vários.

Suzana Cohen
-Maio de 2020-

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