Übiq. | Filosofia pão com mortadela
872
post-template-default,single,single-post,postid-872,single-format-gallery,ajax_fade,page_not_loaded,,side_area_uncovered_from_content,qode-theme-ver-13.5,qode-theme-bridge,wpb-js-composer js-comp-ver-5.4.5,vc_responsive

Filosofia pão com mortadela

Filosofia pão com mortadela

Sou chique, bem! Levo isoporzinho pro rolé

*Por Lujakson Alves*

Se em junho/julho do ano passado o estopim para a população sair e ocupar as ruas foram os 20 centavos, parece que em 2014 o que está levando as pessoas às ruas são alguns reais. O movimento “Beber de isoporzinho” começou na cidade do Rio de Janeiro e convida os apreciadores de cerveja a pegar seus isopores e recheá-los com cerveja e gelo (nesse calor, a cerveja tem que estar geladinha) em protesto aos altos preços cobrados por bares e restaurantes. Na internet o movimento tomou corpo sendo apoiado por projetos como o Rio $urreal e BH $urreal. Mas será que carregar um isopor por aí não é muita “farofagem”?

isporzinhoLevar alimentos para lugares públicos é relativamente recorrente, mas aqueles que o fazem não escapam das comuns piadas de “farofeiros”. Isso é, portanto, algo meio estigmatizado no Brasil, principalmente pelas classes média e alta.

No entanto, também pode ser considerado ridículo pagar caro em alimentos ou bebidas que não fazem jus aos preços cobrados. Por esse motivo o movimento Isoporzinho tem ganhado cada vez mais adeptos pelo Brasil afora. Ou seja, o que até então era tratado como Trash, se aproxima ao máximo do que é considerado Gold, afinal, desconheço uma única pessoa que não seja respeitada por saber valorizar seu dinheiro. O projeto BH $ensacional possui essa visão ao propor de apresentar de forma colaborativa estabelecimentos belohorizontinos com preços bons.

Farofa chique. Existe algo no ar?

isoporA glamourização da farofa vai além do isoporzinho. Em BH outros movimentos urbanos têm, há algum tempo, feito sucesso. Alguns iniciaram-se como forma de protesto e se extenderam ao Carnaval, como a Praia da Estação. Na praia, as pessoas protestam, se divertem, “nadam”na fonte e levam seu isoporzinho recheado de drinques, com a Praça da Estação tomada por banhistas e seus apetrechos (boias, piscinas e barracas). Outros são apenas uma forma de ocupação do espaço público, como os pique-niques da Mostra de Design ou do Cidade Eletrônica, ou o piquenique do Amor, que tem acontecido na Praça do Papa.

Outra prática que está cada vez mais comum são os churrasquinhos ao redor dos estádios de futebol da cidade. Depois da proibição da venda de cerveja nos estádios, em dias de jogo, o Mineirão e o Independência ficam com seus arredores repletos de torcedores que aproveitam as horas que antecedem as partidas para beber com amigos e preparar um “filet-miau”. Essas práticas podem ser indício de que existe algo no ar e que o brasileiro tem caído na real de que a farofa na verdade é cool.

Aguardemos as cenas do próximo capítulo. Com 2014 sendo um carnaval politizado que só terminará na Copa do Mundo e/ou nas eleições, tudo nos leva a crer que o isoporzinho enfarofado perdurará para além do verão.

Antropologia participativa

Não adianta falar na teoria, tem que ver de perto na prática. Levando essa filosofia em conta, eu e um amigo decidimos levar cadeiras e o isopor com cervejas para beber em uma calçada qualquer. Atraimos muitos olhares. Os que passavam por ali brincavam sobre como a nossa vida estava boa por estarmos bebendo às 18h na rua. Era como um verdadeiro Happy Hour. Para a nossa surpresa, em meio a  isso um vigia de carros nos pediu cerveja. Já foi logo enfiando a mão em uma lata de lixo e retirando um copo descartável já quebrado para ser enchido. Me senti como um invasor daquele espaço e achei por bem servi-lo, afinal estávamos em seu ambiente de trabalho. Mas cá pra nós, inconveniente, né? Isso nos faz levar em conta que ao estar na rua nos sujeitamos também à exposição a estranhos e também a uma questão de segurança. Mas isso fica pra outra história.

E aí, vai encarar um isoporzinho? Conta pra gente ;-)

Luke Alves

 

 

*Lü-jak-son Alves é estagiário na Über – Laboratório de Tendências, estuda Publicidade e Propaganda no Centro Universitário UNA e tem uma irreverência peculiar que fica no limiar entre a comédia e o gosto duvidoso. Trash Gold.

 

 

 

 

 

No Comments

Post A Comment