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De volta à Bricolagem (High Tech)

De volta à Bricolagem (High Tech)

Entenda o movimento Maker e o porquê de os hipsters estarem – de alguma maneira – vinculados a isso

* por Suzana Cohen

O movimento hipster não morreu (ainda). Feira gastronômica em Londres é exemplo dos hispers + movimento maker

O movimento hipster não morreu (ainda). Feira gastronômica em Londres é exemplo dos hispers + movimento maker

Ouve-se por aí que o “movimento” hipster anda com seus dias contados. As matérias que discorrem sobre a banalização do termo e do estilo (enquanto moda) são numerosas. No entanto, não se lê por aí sobre o que está por trás desse estilo de vida. Estilo esse, que não se resume em estética e que vai um pouco mais além.

Sustentabilidade, pensamento fora da caixa, contra-cultura, valorização do contemporâneo, produção independente, estilo, autonomia e self-employment são alguns dos conceitos que perpassam o pensamento dessa gente, que – por tradição – nega o rótulo. Afinal, rotular é banal e coloca tantos criativos e independentes em um mesmo balaio. É até injusto.

Pra quem acha que “hipster” é meramente uma estética contemporânea que mistura o visual indie, com barbas bem cultivadas, sapatos sem meia e óculos de aro largo: não concordamos com vocês.

Talvez passe por um equívoco terminológico nosso, talvez esse movimento que queremos nomear tenha  na verdade um outro nome. No entanto – na falta de opção melhor – por enquanto vamos nos ater a essa terminologia. É, o Hipster – em sua essência macro – ainda não morreu.

Dentre tantas de suas características, uma se sobressai: o espírito empreendedor. A vontade de criar algo diferente e sustentável, a criatividade e a disposição de colocar a mão na massa estão por trás desse perfil. A isso podemos dar o nome de espírito Maker. E é esse o termo que nos interessa por ora.

O hipster-maker pode ser facilmente identificado nos food-trucks gourmet que andam tão em alta, nas cervejarias artesanais, nas lojinhas independentes de produtos sustentáveis.

O movimento Maker tem suas origens em outros tempos. Na segunda metade do século XIX, o movimento Arts and Crafts (entende-se artes e ofícios) ganhou força com a proposta responder à revolução industrial e empobrecimento da estética,  aliando a arte (muitas vezes sem utilidade) a objetos industriais (feios, mas úteis).

William Morris, em 1861 encabeçou o movimento que foi responsável por influenciar o design do início do século XX como o Art Nouveau. A sua ideologia inicial era a de levar a arte a todos. No entanto, com o passar do tempo, esses objetos foram se sofisticando de tal maneira, que ironicamente encareceram, minando com a proposta inicial do movimento.

A influência do Arts and Crafts pode ser facilmente vista atualmente na popularização do DIY (Do it Yourself – ou Faça Você Mesmo), tão comum no Pinterest, na Esty e em outras iniciativas afins.

A tendência do movimento Maker é relativamente recente, mas já deu origem a um livro do Chris Anderson (Makers: a nova revolução industrial), a iniciativas de marketing da Levis e da General Electric, e a uma tendência dentro da tendência, relacionada às novas tecnologias. As start ups, as mil inovações com arduinos & cia e os sub-produtos da impressão 3D seriam exemplos. O Google Cardboard, apesar de ser uma iniciativa grande de uma grande corporação, carrega isso em seu cerne de “brinquedinho de montar”. Vale lembrar que uma das origens disso tudo foi com as Maker Fairs, realizadas a partir dos anos 2000 pela Make Magazine (a mamma-toda-poderosa do DIY).

Importante: ao contrário do movimento Arts and Crafts, o movimento Maker aceita e ABRAÇA as novas tecnologias e novos modelos de negócios.

Pegando um gancho nisso tudo, não ao acaso tem sido crescente o emprego do termo “hackear” em diversos contextos: Hack the Menu (um site que te ensina a “hackear” a comida dos fast-foods, transformando a sua refeição normcore em algo exclusivo); os HackerSpaces (em que os sócios desses clubinhos tecnológicos experimentam e ousam com as novas tecnologias de forma colaborativa), ou mesmo a incrível massinha SUGRU  (http://sugru.com), que promete transformar qualquer um em um “hacker analógico”.

O movimento maker não é apenas um hobby, nem coisa de professor Pardal. Representa a criação de negócios de verdade. Robótica, eletrônica, softwares livres e crowdfunding fazem parte desse contexto. Técnicas de micro-manufatura são usadas para criar uma avalanche de produtos conduzidos por pequenos empresários. E as grandes corporações, percebendo a tendência, têm também tentado abraçar a causa.

Ok, entendi. Mas o que a Bricolagem High Tech tem a ver com isso tudo?

Voltamos aos anos 70, quando havia uma proliferação de jovens californianos que viviam à margem do sistema, especificamente no Vale do Silício, construindo e montando seus computadores como quebra-cabeças. Eles era fãs da Bricolagem High Tech – esse hobby de brincar com tecnologia e a eletrônica. O produto desse eco-sistema com temperatura e pressão ideais foi a criação da Apple <3 Salve Woz! Salve Jobs!

Hoje o cenário de alguma maneira nos tem remontado a esse ambiente, só que numa escala global. Tomara que venha muita coisa boa por aí!

Pra inspirar:

Um über exemplo de “hipster-maker” mineiro – Guilherme PAM e sua super Semicleta Mosquita: www.ncasas.com.br

Dale Dougherty em We are The Makers (TED)

[ted id=1065 lang=pt-br]

 

The Mast Brothers: hipsters-makers em pessoa

 

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