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Agricultura Urbana

A horta e a crise. Vamos plantar?

*Por Fernanda Amarante

Plantações na beira da estrada. Hortas de ervas e couve e grandes laranjeiras em tudo quanto é quintal ou jardim me despertaram a curiosidade numa viagem recente à Portugal. A impressão que tive foi a de que todo e qualquer pedaço de terra era aproveitado para o plantio, seja de couve, laranja ou de ervas. Vi também muitas lojas de sementes e muitas mudas à venda. Vi pequenas roças até em barrancos embaixo de viadutos e posso jurar que até em um canteiro central de uma via pública vi uns belos pés de couve.

Engana-se quem pensa que por trás desse movimento está somente o desejo de produzir com as próprias mãos alimentos orgânicos (sem agrotóxicos). Trata-se de algo muito maior, de se fazer economia, gastar menos no supermercado e na feira, e ainda de se ter uma renda extra vendendo esses produtos plantados no quintal e ajudar no orçamento doméstico.

O desenfreado crescimento da população mundial mudou radicalmente a agricultura que, para alimentar essa enorme quantidade de pessoas, foi se transformando num setor industrializado. O que temos agora no campo são monoculturas, pouca biodiversidade, e grande parte da comida é literalmente desenvolvida em laboratório. Nesse cenário, a agricultura urbana surge como uma  proposta bastante interessante,  que pode, além de trazer mais verde pras cidades, gerar trabalho, renda, alimento, integrar melhorar a população, conscientizar as pessoas sobre a própria alimentação, e por aí vai. Só se tem a ganhar.

 Hortas Comunitárias

Já há alguns anos as hortas comunitárias são tendência nos Estados Unidos, particularmente em Nova Iorque, com sua imensidão de concreto, que faz com que seus moradores tentem cada vez mais procurar uma forma de se conectar com o verde e serem mais saudáveis. Lá já são mais de 500 hortas, que ocupam telhados, coberturas, minúsculas praças e lotes. Mas poucos sabem que a iniciativa não é nada hipster nem nova. Na Primeira e na Segunda Guerras, o governo americano incentivou a população à agricultura, e no auge da Segunda Guerra Mundial, 40% dos vegetais consumidos no país foram plantados nos Victory Gardens, os jardins de guerra plantados em áreas particulares ou em lotes públicos em todo o país. Em Londres, jardins eram criados em locais bombardeados.

A ideia é muito simples: grupos de indivíduos se reúnem para fazer melhor uso de lotes baldios com a autorização dos proprietários e da prefeitura, tratar a terra e criar pequenas lavouras. Existem também os bancos de sementes, criados como uma forma de garantir a sobrevivência de sementes nativas e garantir uma maior biodiversidade, e que, produzindo suas próprias sementes,  se tornam independentes das indústrias sementeiras. Muitas hortas comunitárias têm seus próprios bancos de sementes ou trabalham com um.

No Brasil, já podemos contar com alguns programas do governo e já temos até ONGs cuidando de plantações nas cidades, como a Cidades Sem Fome, que identifica lotes vazios e fecha contratos de comodato com os proprietários, permitindo à comunidade cuidar daquele terreno. Depois de plantar e colher, as hortaliças são distribuídas entre os participantes e o excedente é vendido.

Plantações no jardim de casa

Desde que me entendo por gente, meu pai sempre gostou de plantar alguma coisa. O fato de morarmos numa casa com quintal ajuda, mas até nas jardineiras ele já plantou. Já tivemos couve, tomate, rabanete, cenoura, maracujá e por aí vai… Num espaço mínimo aqui na sede da Über Trends, temos duas bananeiras (Silvinha e Regininha), um pé de feijão, um pé de quiabo e um pé de milho, todos em vasos.

Plantar é algo muito simples, tanto que uma das primeiras atividades de ciências de uma criança em idade escolar é plantar um pé de feijão. E apesar de muitas pessoas não serem capazes de manter um simples vaso de violetas, a receita para uma pequena horta em casa é simples, não precisa de dedo verde. Terra, adubo, água na medida certa e cuidado. O cuidado, esse sim, é o mais importante. E para quem quer, hoje não falta informação. Vamos dar uma chance pra essa ideia verde? É tendência por que é bacana.

Fontes

http://come-se.blogspot.com.br/
http://www.lacucinetta.com.br/
https://sidewalksprouts.wordpress.com
http://www.futurefarmers.com/