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Tendências Gastronômicas para 2015

* Por Fernanda Amarante

Com o ano chegando ao fim, é hora de revermos o que comemos e fazermos nossas apostas para o próximo. Em 2014, comemos mais na rua graças à febre dos food trucks e das feiras gastronômicas, iniciada em São Paulo com a Feirinha Gastronômica da Benedito Calixto, e se espalhando pelo país. Para desintoxicar, tomamos litros e litros de suco verde, feitos sempre com frutas leves, ingredientes que aceleram o metabolismo,  e couve, muita couve. A couve, tão mineirinha, gostosa refogada e servida com tutu, tropeiro e carne de porco, virou até suco congelado em cubos para facilitar a vida de quem queria tomar diariamente o suco detox, mas não tinha tempo para lavar e bater a hortaliça todos os dias. E por fim, não se falava em mais nada que não o fatídico Bolo de Churros. O original leva verdadeiros churros recheados à sua volta, mas a grande maioria das imitações é apenas um bolo com muito açúcar e canela e doce de leite a rodo.

Para 2015, nossos palpites antevêem muitas gostosuras e a predominância de uma certa simplicidade, típica do nosso interior, bem brasileira, e ainda a valorização das gastronomias de cada região e cada estado, finalizando com uma deliciosa volta ao passado no setor das sobremesas. Veja nossas expectativas para este ano,  a seguir:

Simplicidade

Comidas simples e bem feitas passam a ser o objetivo de de quem gosta de comer bem. Chega de comida afrescalhada, muito elaborada, com grande quantidade de ingredientes, que é só para de vez em quando. Dizem que o teste para se reconhecer um bom cozinheiro é pela sua omelete, ou seja, pela sua capacidade de fazer bem um prato simples. Pratos feitos com dezenas de itens, são fáceis de ser feitos até pelo cozinheiro amador, pois escondem seus defeitos. Depende-se, então, de bons ingredientes e da capacidade do cozinheiro. É importante poder saborear cada item num prato, que deve ser fresco, de boa procedência e tratado da melhor maneira possível. A Pasta a Carbonara (ovos, queijo e bacon), adorada por muitos foodies, é um grande exemplo disso e um belo modo de se testar e conhecer um restaurante italiano. É o movimento Normcore chegando à Gastronomia, na moda é como uma antimoda, é o vestir normal. Não precisamos do “raio gourmetizador” (que virou meme na Internet recentemente), nem nada super maxi chique. Precisamos de comida gostosa, isso sim, um bom arroz, tutu, couve, lombo e ovo!

O regional está na moda

Depois que Alex Atala (D.O.M.) colocou o Brasil no mapa e nossa gastronomia passou a ser valorizada primeiramente pelos estrangeiros e depois por nós mesmos, chega a hora de destacar cada culinária regional com mais força, como tem feito Jefferson Rueda no Attimo (SP) ou Wanderson  Medeiros com sua Nova Cozinha Nordestina e suas carnes sertanejas no Picuí (AL).

Tapiocas para todos- o novo açaí

Com exceção de São Paulo, com sua grande população imigrante nordestina, a tapioca chegou ao sudeste e sul do país como uma alternativa sem glúten de carboidrato, comida geralmente no café da manhã com geleia, frutas ou queijo brancos por fanáticos por dieta e exercícios. Agora é a hora de ela se popularizar no resto do país como uma opção de lanche a qualquer hora, fácil de fazer, fácil de comer, gostosa e versátil e não apenas para o público preocupado com a dieta e a saúde.

Marmita

Se ao longo deste ano você se deparou com alguma moça ou rapaz sarado degustando sua própria marmita trazida de casa,  com frango desfiado e batata doce,  e se assustou, pode se tranquilizar, que a onda que os marombeiros começaram foi para o bem de todos. Até por que comer na rua todo dia não é mesmo saudável, nem gostoso, nem bom pro bolso, então o caminho é cada vez mais as pessoas fazerem sua própria comida em casa e levar para onde quer que forem, seja pro trabalho, pra academia, até pro avião. Seja a comida saudável e magrinha ou não, só por ser feita em casa e não em um restaurante numa cozinha a que você não tem acesso, já é mais saudável e mais interessante para todos. Ótimas sacolas térmicas e marmitinhas térmicas estão à venda e só ajudam no transporte.

Raspadinha

No fim de 2014, chegamos ao cúmulo de ter três lojas de paletas mexicanas em um único quarteirão da Savassi, e muitas outras espalhadas pela cidade – o que não é significado de qualidade. Os gelados italianos voltaram a aparecer, mas o que deve emplacar mesmo  para o próximo ano são as sobremesas feitas com gelo raspado e xaropes ou caldas aromatizantes, como as raspadinhas; os chup-chups ou sacolés e os milk-shakes. Em São Paulo, Carole Crema (La Vie en Douce, SP) andou vendendo raspadinhas com jeito retrô e o confeiteiro Lucas Corazza (SP) tem feito milk-shakes especiais. Com o clima cada vez mais quente e imprevisível, essas opções são ótimas, versáteis, e bem menos calóricas que o já quase superado açaí.

Chega de bolo de churros

Ok, talvez a onda do “Bolo Mash Up” (os bolos feitos com algum tipo de doce, sobremesa ou confeito, como os churros e os Kitkats) ainda demore a passar. Mas provavelmente ela se emaranhe com um lado mais regional, trazendo talvez bolos de queijo e goiabada, ou pé de moleque, fazendo misturas mais regionalistas. O Bolo de Churros foi mesmo onipresente no Instagram no final de 2014, e não é que a gente já estava, de certa forma, prevendo? Em janeiro deste ano, fizemos um bolo semelhante, mas com canudinhos de doce de leite, bem mineiro, aliás. Confeitaria pioneira.

Quanto à estética, depois de décadas de bolos cobertos com glacê real (aquele de claras e açúcar, duro), do reinado da pasta americana e da febre dos naked cakes, está na hora de bolos apetitosos e mais simples, como os com cobertura de buttercream ou chantilly, como nos anos 80. O clássico Bolo de Brigadeiro, onipresente nas festas de aniversário da época, volta com uma estética mais apurada e como uma solução segura: pra quê inventar, se você pode ter um simples e confiável Bolo de Brigadeiro?

Drinques à moda antiga

A coquetelaria – ou mixologia – continua no topo, e é hora de resgatar alguns drinques do fundo do baú. O ponche, aquela bebida que sua avó fazia (talvez ainda insista em fazer) no Natal, com frutas variadas e servida em um grande utensílio próprio- a poncheira, volta à tona, mas melhorado.

Para quem não gosta de tanta perfumaria, a tendência serão os drinques simples e elegantes, com no máximo três ingredientes, que um bad boy como James Bond pediria: Negroni, Old Fashioned e Martini.

Parece que o próximo ano será de comida simples, descontraída e gostosa. Desejamos a você um über 2015!

Pizza feita em impressora 3D para astronautas

Projeto financiado pela NASA almeja desenvolver comida impressa em 3D para acabar com a fome no mundo

* Por Fernanda Amarante

Até alguns anos atrás, a ideia de apertar um botão e, pluft, a comida aparecer magicamente, era possível somente no desenho dos Jetsons, lançado em 1962 e super futurista. Mas isso está cada vez mais próximo de se tornar realidade, graças à versatilidade das impressoras 3D, que têm inúmeras possibilidades de aplicação, sendo que uma delas é na produção de alimentos, desde chocolates e balas a refeições completas. No início do ano, foi apresentado um protótipo de impressora capaz de produzir uma pizza, e o objetivo é levá-la para as missões espaciais.

Em 2013, a Nasa concedeu para Anjan Contractor uma bolsa de 125 mil dólares para financiar o projeto de uma impressora 3D capaz de produzir comida no espaço. O engenheiro criou um protótipo que imprime a pizza em camadas, em uma estranha forma quadrada de aparência pouco apetitosa. Mas essa é apenas uma primeira versão. O engenheiro responsável pretende desenvolver cartuchos de tinta-comida que durem 30 anos, o que é uma grande necessidade, já que algumas missões no espaço duram mesmo muito tempo. Para fazer os ingredientes durarem, o engenheiro responsável, Anjan Contractor, está pesquisando um meio de tirar toda a umidade deles e depois transformar os nutrientes, proteínas e carboidratos em pó. Para os astronautas, que dependem apenas de enlatados e liofilizados (comidas desidratadas por processo de congelamento), a possibilidade é muito atraente.

Pizza impressa em 3D

A pizza impressa em 3D é (até) apetitosa (?)

Anjan Contractor acredita que seu trabalho com a impressora 3D de comida vai além dos benefícios proporcionados à conquista do espaço e acha que também pode ajudar a acabar com a fome, já que grande parte da população vive em fome permanente, devido a problemas socioeconômicos e dificuldades climáticas e geográficas. Usada desta forma, a impressão em 3D se torna mesmo muito nobre e interessante. Basta saber se a tecnologia continuará neste caminho ou se irá para lados mais fúteis ou nocivos.

Veja acima a pizza sendo impressa (ou no link: http://youtu.be/ISXqC-YPnpc)

Fontes:

The audacious plan to end hunger with 3D Printed food 

Watch NASA’s 3D Pizza printer make a (sort of) tasty-looking pizza