Fernanda Amarante

Cogumelos são o novo plástico

*Por Fernanda Amarante

O cogumelo errado pode ser venenoso e até matar. Mas o cogumelo certo pode ter mil utilidades,  desde ser usado como alucinógeno, como alimento, remédio, e agora é até utilizado no desenvolvimento de uma material incrível feito para substituir o plástico e isopor.

Criado por uma empresa americana chamada Ecovative, o “Mushroom Material” é feito a partir de fungos e resíduos de agricultura (como pés de milho secos, cascas de sementes, etc). É absolutamente renovável, biodegradável, resistente ao fogo, vapor e à umidade e ainda funciona como isolante térmico e acústico. Ao trabalhar com os micélios, verdadeiros emaranhados de filamentos que servem de mecanismo de sustentação e absorção de nutrientes para os fungos, cientistas perceberam que além de ter uma textura grudenta, eles se unem a qualquer superfície e se desenvolvem com extrema rapidez. Adicionando algum tipo de resíduo de agricultura, tem-se então o “material de cogumelo”, com textura de uma densa espuma.

Para a produção dessa espécie de polímero gasta-se pouquíssima energia e ainda se pode dar prioridade à uma produção local, usando resíduos de cada lugar onde ele for produzido, por exemplo, na China pode-se usar resíduos de plantações de arroz, no Brasil de cana, e por aí vai. É uma ideia muito ecológica e moderna, basta apenas a população não ter preconceitos. Über cool.

Embalagem feita com "isopor" de cogumelos

Embalagem feita com “isopor” de cogumelos (Foto: Ecovative – divulgação)

Não perca:

Veja a rapidez do crescimento dos micélios em laboratório, é incrível!
Assista a um Ted Talk de Eden Bayer sobre o assunto:

Fonte:
http://www.ecovativedesign.com/

Agricultura Urbana

A horta e a crise. Vamos plantar?

*Por Fernanda Amarante

Plantações na beira da estrada. Hortas de ervas e couve e grandes laranjeiras em tudo quanto é quintal ou jardim me despertaram a curiosidade numa viagem recente à Portugal. A impressão que tive foi a de que todo e qualquer pedaço de terra era aproveitado para o plantio, seja de couve, laranja ou de ervas. Vi também muitas lojas de sementes e muitas mudas à venda. Vi pequenas roças até em barrancos embaixo de viadutos e posso jurar que até em um canteiro central de uma via pública vi uns belos pés de couve.

Engana-se quem pensa que por trás desse movimento está somente o desejo de produzir com as próprias mãos alimentos orgânicos (sem agrotóxicos). Trata-se de algo muito maior, de se fazer economia, gastar menos no supermercado e na feira, e ainda de se ter uma renda extra vendendo esses produtos plantados no quintal e ajudar no orçamento doméstico.

O desenfreado crescimento da população mundial mudou radicalmente a agricultura que, para alimentar essa enorme quantidade de pessoas, foi se transformando num setor industrializado. O que temos agora no campo são monoculturas, pouca biodiversidade, e grande parte da comida é literalmente desenvolvida em laboratório. Nesse cenário, a agricultura urbana surge como uma  proposta bastante interessante,  que pode, além de trazer mais verde pras cidades, gerar trabalho, renda, alimento, integrar melhorar a população, conscientizar as pessoas sobre a própria alimentação, e por aí vai. Só se tem a ganhar.

 Hortas Comunitárias

Já há alguns anos as hortas comunitárias são tendência nos Estados Unidos, particularmente em Nova Iorque, com sua imensidão de concreto, que faz com que seus moradores tentem cada vez mais procurar uma forma de se conectar com o verde e serem mais saudáveis. Lá já são mais de 500 hortas, que ocupam telhados, coberturas, minúsculas praças e lotes. Mas poucos sabem que a iniciativa não é nada hipster nem nova. Na Primeira e na Segunda Guerras, o governo americano incentivou a população à agricultura, e no auge da Segunda Guerra Mundial, 40% dos vegetais consumidos no país foram plantados nos Victory Gardens, os jardins de guerra plantados em áreas particulares ou em lotes públicos em todo o país. Em Londres, jardins eram criados em locais bombardeados.

A ideia é muito simples: grupos de indivíduos se reúnem para fazer melhor uso de lotes baldios com a autorização dos proprietários e da prefeitura, tratar a terra e criar pequenas lavouras. Existem também os bancos de sementes, criados como uma forma de garantir a sobrevivência de sementes nativas e garantir uma maior biodiversidade, e que, produzindo suas próprias sementes,  se tornam independentes das indústrias sementeiras. Muitas hortas comunitárias têm seus próprios bancos de sementes ou trabalham com um.

No Brasil, já podemos contar com alguns programas do governo e já temos até ONGs cuidando de plantações nas cidades, como a Cidades Sem Fome, que identifica lotes vazios e fecha contratos de comodato com os proprietários, permitindo à comunidade cuidar daquele terreno. Depois de plantar e colher, as hortaliças são distribuídas entre os participantes e o excedente é vendido.

Plantações no jardim de casa

Desde que me entendo por gente, meu pai sempre gostou de plantar alguma coisa. O fato de morarmos numa casa com quintal ajuda, mas até nas jardineiras ele já plantou. Já tivemos couve, tomate, rabanete, cenoura, maracujá e por aí vai… Num espaço mínimo aqui na sede da Über Trends, temos duas bananeiras (Silvinha e Regininha), um pé de feijão, um pé de quiabo e um pé de milho, todos em vasos.

Plantar é algo muito simples, tanto que uma das primeiras atividades de ciências de uma criança em idade escolar é plantar um pé de feijão. E apesar de muitas pessoas não serem capazes de manter um simples vaso de violetas, a receita para uma pequena horta em casa é simples, não precisa de dedo verde. Terra, adubo, água na medida certa e cuidado. O cuidado, esse sim, é o mais importante. E para quem quer, hoje não falta informação. Vamos dar uma chance pra essa ideia verde? É tendência por que é bacana.

Fontes

http://come-se.blogspot.com.br/
http://www.lacucinetta.com.br/
https://sidewalksprouts.wordpress.com
http://www.futurefarmers.com/

Tendências Gastronômicas para 2015

* Por Fernanda Amarante

Com o ano chegando ao fim, é hora de revermos o que comemos e fazermos nossas apostas para o próximo. Em 2014, comemos mais na rua graças à febre dos food trucks e das feiras gastronômicas, iniciada em São Paulo com a Feirinha Gastronômica da Benedito Calixto, e se espalhando pelo país. Para desintoxicar, tomamos litros e litros de suco verde, feitos sempre com frutas leves, ingredientes que aceleram o metabolismo,  e couve, muita couve. A couve, tão mineirinha, gostosa refogada e servida com tutu, tropeiro e carne de porco, virou até suco congelado em cubos para facilitar a vida de quem queria tomar diariamente o suco detox, mas não tinha tempo para lavar e bater a hortaliça todos os dias. E por fim, não se falava em mais nada que não o fatídico Bolo de Churros. O original leva verdadeiros churros recheados à sua volta, mas a grande maioria das imitações é apenas um bolo com muito açúcar e canela e doce de leite a rodo.

Para 2015, nossos palpites antevêem muitas gostosuras e a predominância de uma certa simplicidade, típica do nosso interior, bem brasileira, e ainda a valorização das gastronomias de cada região e cada estado, finalizando com uma deliciosa volta ao passado no setor das sobremesas. Veja nossas expectativas para este ano,  a seguir:

Simplicidade

Comidas simples e bem feitas passam a ser o objetivo de de quem gosta de comer bem. Chega de comida afrescalhada, muito elaborada, com grande quantidade de ingredientes, que é só para de vez em quando. Dizem que o teste para se reconhecer um bom cozinheiro é pela sua omelete, ou seja, pela sua capacidade de fazer bem um prato simples. Pratos feitos com dezenas de itens, são fáceis de ser feitos até pelo cozinheiro amador, pois escondem seus defeitos. Depende-se, então, de bons ingredientes e da capacidade do cozinheiro. É importante poder saborear cada item num prato, que deve ser fresco, de boa procedência e tratado da melhor maneira possível. A Pasta a Carbonara (ovos, queijo e bacon), adorada por muitos foodies, é um grande exemplo disso e um belo modo de se testar e conhecer um restaurante italiano. É o movimento Normcore chegando à Gastronomia, na moda é como uma antimoda, é o vestir normal. Não precisamos do “raio gourmetizador” (que virou meme na Internet recentemente), nem nada super maxi chique. Precisamos de comida gostosa, isso sim, um bom arroz, tutu, couve, lombo e ovo!

O regional está na moda

Depois que Alex Atala (D.O.M.) colocou o Brasil no mapa e nossa gastronomia passou a ser valorizada primeiramente pelos estrangeiros e depois por nós mesmos, chega a hora de destacar cada culinária regional com mais força, como tem feito Jefferson Rueda no Attimo (SP) ou Wanderson  Medeiros com sua Nova Cozinha Nordestina e suas carnes sertanejas no Picuí (AL).

Tapiocas para todos- o novo açaí

Com exceção de São Paulo, com sua grande população imigrante nordestina, a tapioca chegou ao sudeste e sul do país como uma alternativa sem glúten de carboidrato, comida geralmente no café da manhã com geleia, frutas ou queijo brancos por fanáticos por dieta e exercícios. Agora é a hora de ela se popularizar no resto do país como uma opção de lanche a qualquer hora, fácil de fazer, fácil de comer, gostosa e versátil e não apenas para o público preocupado com a dieta e a saúde.

Marmita

Se ao longo deste ano você se deparou com alguma moça ou rapaz sarado degustando sua própria marmita trazida de casa,  com frango desfiado e batata doce,  e se assustou, pode se tranquilizar, que a onda que os marombeiros começaram foi para o bem de todos. Até por que comer na rua todo dia não é mesmo saudável, nem gostoso, nem bom pro bolso, então o caminho é cada vez mais as pessoas fazerem sua própria comida em casa e levar para onde quer que forem, seja pro trabalho, pra academia, até pro avião. Seja a comida saudável e magrinha ou não, só por ser feita em casa e não em um restaurante numa cozinha a que você não tem acesso, já é mais saudável e mais interessante para todos. Ótimas sacolas térmicas e marmitinhas térmicas estão à venda e só ajudam no transporte.

Raspadinha

No fim de 2014, chegamos ao cúmulo de ter três lojas de paletas mexicanas em um único quarteirão da Savassi, e muitas outras espalhadas pela cidade – o que não é significado de qualidade. Os gelados italianos voltaram a aparecer, mas o que deve emplacar mesmo  para o próximo ano são as sobremesas feitas com gelo raspado e xaropes ou caldas aromatizantes, como as raspadinhas; os chup-chups ou sacolés e os milk-shakes. Em São Paulo, Carole Crema (La Vie en Douce, SP) andou vendendo raspadinhas com jeito retrô e o confeiteiro Lucas Corazza (SP) tem feito milk-shakes especiais. Com o clima cada vez mais quente e imprevisível, essas opções são ótimas, versáteis, e bem menos calóricas que o já quase superado açaí.

Chega de bolo de churros

Ok, talvez a onda do “Bolo Mash Up” (os bolos feitos com algum tipo de doce, sobremesa ou confeito, como os churros e os Kitkats) ainda demore a passar. Mas provavelmente ela se emaranhe com um lado mais regional, trazendo talvez bolos de queijo e goiabada, ou pé de moleque, fazendo misturas mais regionalistas. O Bolo de Churros foi mesmo onipresente no Instagram no final de 2014, e não é que a gente já estava, de certa forma, prevendo? Em janeiro deste ano, fizemos um bolo semelhante, mas com canudinhos de doce de leite, bem mineiro, aliás. Confeitaria pioneira.

Quanto à estética, depois de décadas de bolos cobertos com glacê real (aquele de claras e açúcar, duro), do reinado da pasta americana e da febre dos naked cakes, está na hora de bolos apetitosos e mais simples, como os com cobertura de buttercream ou chantilly, como nos anos 80. O clássico Bolo de Brigadeiro, onipresente nas festas de aniversário da época, volta com uma estética mais apurada e como uma solução segura: pra quê inventar, se você pode ter um simples e confiável Bolo de Brigadeiro?

Drinques à moda antiga

A coquetelaria – ou mixologia – continua no topo, e é hora de resgatar alguns drinques do fundo do baú. O ponche, aquela bebida que sua avó fazia (talvez ainda insista em fazer) no Natal, com frutas variadas e servida em um grande utensílio próprio- a poncheira, volta à tona, mas melhorado.

Para quem não gosta de tanta perfumaria, a tendência serão os drinques simples e elegantes, com no máximo três ingredientes, que um bad boy como James Bond pediria: Negroni, Old Fashioned e Martini.

Parece que o próximo ano será de comida simples, descontraída e gostosa. Desejamos a você um über 2015!

A volta dos tênis brancos

Em meio a excessos camaleônicos, o tênis branco minimalista está de volta

*Por Fernanda Amarante

Imaginem que uma pessoa quer comprar um tênis básico, para combinar com tudo, e não existe para vender mais. Em loja alguma, de shopping nenhum. Você encontra o tal calçado em todas as cores do arco-íris, inclusive todas juntas ao mesmo tempo, às vezes um pé de várias cores e o outro de outras cores. Mas tênis discreto branquinho ou preto não. Nem cinza. Você é obrigado a se conformar, compra um fluorescente que brilha no escuro e ainda acaba tendo que aderir às calças legging com estampas psicodélicas, porque só assim para combinar com o tal tênis. Só que às vezes a pessoa que precisa ou quer o fatídico calçado é uma senhora, de 60 e tantos anos, então dá para imaginar ela de macacão de cobra, meião e um Mizuno creation 15?

Nos últimos anos, a tendência no mundo dos tênis – não apenas os feitos para ir para a academia e os direcionados para esportes, mas também os casuais – foi a overdose de informações, cores, detalhes. Até mesmo os Converse All Stars andaram muito mais enfeitados, acompanhando as tendências de vestuário, surgindo com tachas, estampas de todos os tipos, listras, poás, flores.  Mas agora a “novidade” são os tênis brancos, simples e discretos, que começaram a pipocar nos pés mais “cool” e provavelmente vão acabar seduzindo o grande público. A estilista Phoebe Philo aparece sempre impecável, de terninho e um modelo da Adidas nos pése atualmente já vemos modelos e fashionistas desfilando off catwalk com todo estilo de roupas e seus tenis2inhos.

A nova tendência chega em boa hora, para acalmar os olhos e pés cansados de tanta extravagância. E não é nada aleatória essa volta ao tênis básico. O Normcore (não deixem de ler o texto da Suzana Cohen sobre o assunto, é ótimo) propõe uma estética com um quê de anos 90, um estilo “normal” de vestir. A ideia é não ser descolado, não ser legal ou cool. É como se fosse possível uma anti-moda. Assim, o tênis branco seria a antítese do sneaker Isabel Marant, do Nike feito em parceria com a Liberty (com estampa de florzinhas). Parece que as duas tendências vêm pra acalmar os ânimos, como um entremet, que é servido entre dois pratos numa refeição, para limpar o paladar.

Em nossa última viagem ao velho mundo, captamos várias pessoas bem trendy usando o estilo. Já nas lojas de tênis da cidade, encontramos um único modelo na cor. Veja na nossa galeria de fotos.

O fato é que os tênis brancos estão sendo relançados, até por marcas de luxo como Yves Saint Laurent e Phillip Lim. E por quê aderir? Talvez por que eles sejam muito práticos simplesmente por combinarem com mais roupas. O modelo básico, discreto e branco combina não só com todas as roupas de ginástica, mas principalmente com jeans, vestidos, peças de alfaiataria e até roupas mais elaboradas. E é exatamente nesses looks exatamente que devemos ver cada vez o style cada vez mais. Basta saber usar. Está na hora de tirar o bom e velho Keds do armário, e misturar.

Saiba como manter brancos os seus tênis brancos

- Prevenção é a palavra chave! Use um produto impermeabilizador, como o Spray Impermeabilizante de Tecidos Scotchgard, da 3M.
- Limpe com regularidade pequenas sujeiras. Essa dica vale pra todo tipo de sapatos e vai garantir sua longevidade. Lenços umedecidos são práticos e rápidos de se usar.
- Não lave à máquina. O processo pode amarelar a borracha da sola.
- Lave à mão, com sabão neutro, preferencialmente líquido, que espalha melhor.
- Para manchas difíceis, faça uma pasta de água e bicarbonato de sódio e esfregue bem o local com uma escova pequena.
- Guarde longe da luz solar. O sol também pode amarelar a sola.
- Se mesmo assim a borracha amarelar, tente a seguinte solução caseira: coloque um pouco de acetona numa gaze, e passe por toda a sola.

Galeria 1: fotos de nosso acervo de pesquisa de tendências

Galeria 2: Coletânea de pesquisa de fontes na internet

Fontes

10 peças para usar na primavera (e o tênis branco é uma delas)
Como usar tênis branco
Como montar um look com o tênis branco  e a volta dos Stan Smiths, da Adidas

? Conhece nosso curso de trend hunting? Matrículas abertas!