Monthly Archives: julho 2014

Quando ser estiloso é mainstream, o cool é ser “normal”?

Entenda o que é a classificação “normcore” e o que está por trás da normalização do estilo. Se é que ela existe
Em bairro hispter de Londres o nomrcore se mistura ao hipster. Ou seria esse apenas um transeunte?

Em bairro hispter de Londres o normcore se mistura ao hipster. Ou seria esse apenas um transeunte?

* por Suzana Cohen

Em uma realidade em que as informações circulam com enorme rapidez e o mundo se torna nitidamente globalizado, a propagação de “tendências” e do cool acaba se dando num âmbito global, de forma pulverizada e em questão de dias. Diante disso, o mundo torna-se cada vez mais pretenso-fashionista e artificial.

Como consequência, surgem terminologias como o Normcore, termo dado ao novo-modismo do não-modismo.

Inicialmente lançado num relatório da k-hole em parceria com a Box1824, o Normcore já foi pauta de N publicações, do Guardian ao New York Times. O assunto já rodou por aí. E se já!

Fala-se de uma estética que beira o normal, do combo camiseta-jeans-sem-marca-tênis ou moletom-chinelo-whatever. Há indícios de que agora o cool é não parecer cool. Mas será que isso é possível?

Os anos 90, a libertação, o turista e uma curiosa constatação

Das críticas mais relevantes, há uma comparação com a estética dos anos 90. Faz sentido se pensarmos no ciclo de 20 anos, de tudo que vai e volta nesse intervalo de tempo (Ramones 1992/1993 – camiseta do Ramones 2012/2013 é um exemplo fácil).

Os especialistas retrucam que o Normcore não é uma questão meramente estética, mas uma teoria antropológica. Passa também pela permissividade de se fazer coisas “normais”.

Falam também de uma volta às raízes, de um resgate de uma época da vida (como aos 11/12 anos) em que não havia uma preocupação clara com o “figurino”.

Os turistas andam cada vez mais cool. Bacelona, 2014

Os turistas andam cada vez mais cool. Bacelona, 2014

Dizem também que essa tendência faz com que seus adeptos se pareceçam com turistas. Ironicamente, ao dar uma passeada por cidades cosmopolitas, fashionistas e cool – como Londres e Paris – é assombroso perceber como os turistas andam descolados como nunca antes visto. É a democratização do estilo (vide – principalmente – os turistas orientais). Portanto, há alguma incoerência no argumento inicial de o turista ser a referência e o sinônimo do normal.

Não é mais.

Ou então… Tornou-se muito normal ser “descolado”.

Fizemos uma pesquisa de campo e levantamos uma amostra de turistas descolados. Veja na galeria 1 ao final da postagem.

 

Os Hipsters e a negação de rótulos
O movimento hipster não morreu (ainda). Feira gastronômica em Londres.

O movimento hipster não morreu (ainda). Feira gastronômica em Londres.

Não ao acaso, os chamados hipsters têm negado a terminologia designada a eles. Afinal, o estilo do alternativo-cool-de-ponta se propagou de tal maneira e rapidez e virou mainstream. No entanto, o movimento hipster (independente da nomenclatura e estética; e enquanto filosofia de vida/padrão de consumo –sustentável, indepentente, consciente e, porque não, estável financeiramente) continua existindo, sendo a cada vez reinventado. Talvez a decadência do termo está relacionada a um padrão estético inicial, não vinculado ao pacote completo. Pode ser também relacionado à negação de rótulos. Aqueles que seguem o estilo de vida “hipster” (ou como quiser chamá-los) simplesmente SÃO (*pelo menos por ora).

A lógica é simples. Existem inovadores. Existem pessoas cuja personalidade é descolada e desbravadora. Existem pessoas que conectam as ideias e as transformam numa tendência, a disseminam. Existem aqueles que seguem a moda (em maior ou menor nível). E existem os desligados. Innovator, alfa, trend creator, trend setter, abelha, mainstreamer, grande público, laggards, conservadores, retardatários, anti-inovadores. Não interessa o nome.

No fim das contas a coisa segue mais ou menos uma mesma lógica, só que agora na velocidade da luz e de forma pulverizada. Há um encurtamento e “explosão” do processo.

Ora, se todos têm acesso ao último estilo da vez, há uma banalização do cool.

–> Portanto, o cool passa a ser normal.
–> Porém, se muita gente é cool, o normal passa a ser o diferente.
–> Afinal, os que estão no começo da curva da inovação estão sempre em busca do novo e não-padronizado.
“Hipster” virou pejorativo, saca?

(*OBS: tem também uma questão semântica com a palavra hipster: esse “ster” passa a ideia de wanna be – mas que não é o original).

Na galeria 2 – ao final da página – temos a prova viva de que a ideologia hispter (e seus seguidores) não estão nem perto de chegar ao fim.

Mas… existe um gap aí…

Suponhamos que uma pessoa conhecida por ser extremamente ligada ao estético um belo dia apareça em público num figurino pretensamente sem estética. Ficará claro que trata-se de estilo (apesar da suposta falta de estilo). E a negação passa a ser a afirmação.

Faz sentido?

Em pouco tempo o normcore se pulverizará pelo mundo afora e os trend creators mais uma vez estarão em busca do estilo (perdido). O normcore já teve seu fim decretado?

No fim das contas, a moral da história é o nosso “velho” ditado:

“o glamour é a ausência total de glamour”.

(To be continued)

Galeria 1: Turistas cool estão por toda parte. Todas as fotos by Über.
Galeria 2: Quem disse que o hipster morreu? Todas as fotos by Über.
Referências:

O relatório que deu origem ao termo: Youth mode: a report on freedom
Uma matéria completa: Normcore: fashion for those who realize they are one in 7 billion
Um artigo muito pertinente: The new normal
Um desdobramento do artigo pertinente: Normcore, the next big fashion movement?
Sobre hipsters e seu fim: Hipsters – the dead end of western civilization?
Ainda sobre hipsters: The end of the hipster –how flat caps and beards stopped being so cool 

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Próximo evento aberto da Über
Tablado de Ideias: impressão 3D.
Data a ser confirmada.
local: Über (Rua Germano Torres, 6 – Carmo. Belo Horizonte | MG)
Mais infos em breve.
 

Física moderna ao alcance de todos

Estão abertas as inscrições para o curso Einstein no Terceiro Milênio

Über abre as inscrições para o curso Einstein no Terceiro Milênio (E3M), um curso de física para leigos que será realizado a partir do dia 5 de agosto e terá a duração de dois meses. Voltado para estudantes e profissionais de nível superior de qualquer área, o programa aborda com profundidade e simplicidade os principais assuntos da Física Moderna. O curso, que já existe há 5 anos, foi criado pelo professor Abá Cohen Persiano na UFMG. As aulas dessa edição acontecem na Über (Rua Germano Torres, 6 – Carmo) às terças-feiras, das 18h30 às 21h30, sendo 8 encontros. As matrículas podem ser feitas através do site: http://ubertrends.com.br/e3m-inscricoes/

Usando uma linguagem acessível, o professor Abá e palestrantes convidados abordam, com elegância e poucos rudimentos da matemática, assuntos como a dilatação do tempo e a contração do espaço, a nova teoria da relatividade, física quântica e nuclear, cosmologia moderna e a trajetória pessoal e científica de Albert Einstein.

Trata-se de um curso voltado para pessoas que apreciam a beleza e harmonia do Universo e querem entender o funcionamento do micro e do macrocosmos. Demonstrações, animações e argumentos estéticos fazem parte da metodologia.

O E3M já teve mais de 20 edições consecutivas, todas com vagas esgotadas e captou o interesse de um público de aproximadamente 1000 profissionais e estudantes de nível superior, dos quais cerca de 100 professores universitários. Esta é a segunda edição que acontece na Über.

A Über é um espaço múltiplo e inovador idealizado pela publicitária Suzana Cohen que funciona como laboratório de pesquisa em tendências e comunicação digital, além de galeria, loja colaborativa e Escola Livre de Cursos e Vivências Mundanas nas áreas de comunicação, tecnologia, ciência e arte.

Serviço
Einstein no Terceiro Milênio (E3M):
Programa completo: http://ubertrends.com.br/cursos/einstein-no-terceiro-milenio/

Über
Rua Germano Torres, 6, Carmo
Tel: (31)3234-3376
http://www.ubertrends.com.br

Blog do prof. Aba Persiano: http://fisicafacil.wordpress.com